Viscossuplementação – O que é? Quais os benefícios? Como o procedimento é feito? Existem efeitos colaterais?
19/08/2019

O que é?

O menisco é uma estrutura de formato semicircular, semelhante a meia-lua composta por cartilagem fibrosa, que amortece o atrito e impacto na articulação do joelho, entre a perna (tíbia) e coxa (fêmur). Atua também na estabilidade e lubrificação articular, tendo importante papel na saúde e homeostase dos joelhos.

 

Como ocorre lesão no menisco?

 Basicamente, os meniscos podem sofrer lesões agudas (repentinas) e crônicas (ao longo do tempo).

As lesões agudas ocorrem principalmente quando o joelho é flexionado e torcido com força, enquanto a perna está em uma posição de sustentação de peso. São lesões mais comuns em jovens praticantes de esportes de contato ou coletivos como futebol, e em lutadores de jiu-jitsu e judô, por exemplo. 

Lesões crônicas e/ou degenerativas ocorrem basicamente em pacientes após os 40 anos, uma vez que a medida que o menisco envelhece, enfraquece-se e torna-se menos elástico. Lesões degenerativas podem resultar de pequenas torções/rotações e podem ou não haver sintomas dolorosos presentes.

 

Quais são os sintomas de uma lesão do menisco?

As lesões agudas geralmente estão relacionadas a esportes, podendo ser resultado de torções durante a prática de atividades físicas.

Os sintomas de uma lesão aguda do menisco incluem: dor (na parte de dentro ou na parte de fora do joelho), inchaço, irregularidade no movimento e “travamento do joelho”.

Já em lesões crônicas, o paciente pode apresentar inchaço recorrente (com ou sem derrame articular) e muitas vezes ele não consegue se lembrar de qualquer lesão específica. Esse inchaço também pode ser causado por algum movimento simples. Também pode ocorrer travamento do joelho e dor.

 

Como as lesões no menisco são diagnosticadas?

Um ortopedista especialista em joelho irá avaliar o histórico do paciente para determinar se os sinais e sintomas estão relacionados à lesão do menisco. Em seguida, este médico irá avaliar se há inchaço no joelho e sensibilidade dolorosa nas interlinhas articulares no exame físico.

A manobra de McMurray é um teste no qual o ortopedista aplica pressão com o dedo na interlinha articular e move o joelho realizando uma flexo-extensão para avaliar se há dor meniscal no ponto tocado. Isso indicaria uma possível lesão meniscal.

Para se avaliar a extensão dos danos, poderá ser solicitado um exame de imagem complementar. A ressonância magnética pode ser solicitada para revelar danos aos ligamentos e meniscos. Este exame tem de 70 a 95% de precisão no achado de lesões meniscais, e também pode mostrar qualquer dano nos ligamentos dos joelhos.

 

Como é o tratamento para quem tem lesão no menisco?

Para se determinar a forma de tratamento, alguns fatores são levados em consideração pelo seu ortopedista, tais como: a idade, a localização da lesão, o tipo de lesão (radial, horizontal, complexa…), quando a lesão ocorreu, quais são os sintomas que o paciente está sentindo, se tem ou não alguma outra lesão associada e qual o nível de atividade física do paciente.

Depois de considerar esses fatores, o ortopedista optará por tratar a lesão de forma não cirúrgica (conservadora) ou cirúrgica.

 

  • Tratamento não-cirúrgico (normalmente recomendado para lesões degenerativas): O uso de imobilizadores e restrição de atividades podem ser recomendados em um primeiro momento, bem como a realização sequencial de sessões de fisioterapia para a reabilitação. A infiltração com corticóides de depósito associados ou não ao ácido hialurônico (viscossuplementação) podem beneficiar pacientes que tenham degeneração cartilaginosa associada. Leia mais sobre a viscossuplementação no texto: http://drsaulocastro.com.br/viscossuplementacao/
  • Tratamento cirúrgico: Pode ser indicado se os sintomas são incapacitantes, se duram mais de 2 meses, se o paciente é um atleta de alto nível, se a localização e o tipo de ruptura meniscal forem indicativos de cirurgia e se há indicações de reconstrução de lesão também do ligamento cruzado anterior, causando instabilidade no joelho. A cirurgia é realizada através de uma técnica denominada artroscopia, que é realizada por vídeo. Esse procedimento permite com que o paciente receba alta no mesmo dia da realização do procedimento, ou no máximo, no dia seguinte.

 

Quanto tempo demora para se recuperar de uma lesão do menisco?

Depende do tipo de lesão. Para lesões de caráter não cirúrgico, nenhum exercício rotatório é recomendado até que o joelho esteja livre dos sintomas. As atividades do dia a dia são retomadas em cerca de 4 a 6 semanas após a lesão. Se o joelho ainda estiver sintomático após 2 a 3 meses da lesão em tratamento, uma reavaliação ortopédica deve ser orientada pois o procedimento cirúrgico não pode ser descartado como opção. 

Lesões com indicação de tratamento cirúrgico podem levar de 4 a 6 semanas para recuperação de uma ressecção parcial do menisco (a chamada meniscectomia parcial).

A reabilitação após o reparo do menisco depende do tamanho da lesão, da estabilidade do reparo e de outras lesões (de cartilagem ou ligamentar, por exemplo). Em geral, para um reparo meniscal isolado:

  • A sustentação de peso total não é permitida por 1 semana após a cirurgia, dependendo do tipo de lesão e reparo. Sendo assim, as muletas serão usadas inicialmente após a cirurgia por esse período de 1 semana.
  • Os exercícios de amplitude de movimento começam logo após a cirurgia, ou seja, já no dia seguinte.
  • Os exercícios de fortalecimento muscular começam quando a amplitude total do movimento retorna.
  • O retorno a atividades vigorosas, como esportes, pode dar-se de 3 a 4 meses após o reparo.

 

Lesões com indicação de tratamento cirúrgico de sutura de menisco têm sua indicação cada vez mais ampliada, porém classicamente são indicadas para pacientes jovens, cuja lesão tenha sido traumática (e não degenerativa), com trauma recente (menor de 3 meses), com lesão linear e não complexa, e que acometa a área periférica (mais vascularizada) do menisco. Neste tipo de tratamento o processo de reabilitação é mais lento, não sendo permitida a carga, mesmo que parcial, por aproximadamente 6 semanas. Neste caso também, não se pode flexionar o joelho com carga além de 90 graus por aproximadamente 6 meses. A grande vantagem é a chance de cicatrização da lesão e preservação de todo o menisco. Contudo, a falha na sutura pode ocorrer e uma reabordagem cirúrgica para reparo artroscópico para meniscectomia parcial pode ser necessária.


Portanto, não deixe de procurar um ortopedista especialista em joelho e credenciado pela SBCJ (Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho) http://www.sbcj.org.br/conteudos/?membros-titulares para avaliar-lhe.

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